1 de junho de 2016

Universidade Federal de Roraima oferece cotas para indígenas em programas de pós-graduação

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UFRR recebe alunos indígenas para cursos de graduação e pós-graduação - Foto UFRR

UFRR recebe alunos indígenas para cursos de graduação e pós-graduação – Foto UFRR

Dificuldades dos indígenas são as mesmas apresentadas por alunos não indígenas, afirma professora do programa de pós-graduação de Geografia da UFRR, Maria da Graça Nascimento Silva

Ana Aranda

A Universidade Federal de Roraima (UFRR) oferece cotas direcionadas para a comunidade indígena em programas de pós-graduação. O assunto foi levantado pela coordenadora do Programa de Pós-Graduação de Geografia – PPGEO – da UFRR, professora doutora Luiza Bezerra Neta, durante o V Seminário Regional Norte/Nordeste de Pós-Graduação em Geografia, realizado pela Universidade Federal de Rondônia, de 25 a 27 de maio, em Porto Velho. Segundo a professora, o oferecimento de cotas em programas de pós-graduação para indígenas é uma demanda natural dos egressos dos cursos de graduação do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, o primeiro criado no Brasil voltado para este segmento, que oferece os cursos de Gestão em Saúde Coletiva, Gestão Territorial Indígena e Licenciatura Intercultural Indígena. Anualmente, mais de 40 alunos conquistam o diploma de graduação e eles querem estudar mais, explica a professora.

Leia mais sobre o Instituto Insikiran

Luiza Bezerra relata que em 2013 a proposta de cotas para o programa de pós-graduação em Geografia foi feita por professores e alunos do Insikiran. O assunto foi discutido no colegiado e então ficou determinada que uma vaga do PPGEO seria para os indígenas, porque só havia um professor disponível para orientar os alunos. “A gente não poderia colocar cinco, dez vagas, sem ter quem fizesse a orientação”, segundo Maria da Graça.

Com mestrado e doutorado, a professora e historiadora Maria Bárbara, que faz parte do corpo docente do PPGEO foi designada para orientar os alunos de mestrado do PPGEO. “Não que os demais professores não possam exercer a função, dependendo do tema”, afirma a professora.

Desde 2013, quando uma das 12 vagas para mestrado do PPGEO da UFRR é reservada preferencialmente aos egressos do Insikiran, três alunos indígenas foram aprovados e todos receberam orientação da professora Maria Bárbara. “Destes três, um já finalizou o curso, no ano passado, e a sua dissertação foi muito comemorada, porque foi o primeiro desta categoria de vaga indígena que se formou, sendo que os demais estão na fase de desenvolvimento de seus trabalhos”.

Só podem pleitear a vaga, os alunos que têm a identidade indígena, que é o RANI (Registro Administrativo de Nascimento Indígena), fornecido pela Funai. “Não é para qualquer um. Se formos ver, todos nós temos sangue indígena, mas a partir deste RANI, desta identificação, fazemos a inscrição dos que concorrem a esta vaga”, explica a professora.

As etapas de seleção para a vaga são as mesmas utilizadas para os demais candidatos. A primeira etapa, que é eliminatória, é uma prova escrita dentro da temática de Geografia, outra prova é voltada para a parte conceitual da Geografia e uma terceira refere-se à
linha de pesquisa. O mestrado tem duas linhas de pesquisa: Produção e Território Amazônico e Dinâmica da Paisagem Amazônica.

Vagas não ficam ociosas

No ano passado, a vaga reservada aos indígenas foi direcionada para pesquisa sobre Produção e Território Amazônico, porque naquele momento o professor orientador disponível era desta linha. Dois candidatos se inscreveram, mas não tiveram êxito na seleção, sendo que a vaga não ficou ociosa e migrou para o último da fila. Em 2016, não houve aprovação entre os candidatos indígenas.

Outros Programas de Graduação da UFRR oferecem vagas preferenciais para indígenas e a professora Maria da Graça acredita que estes alunos que completaram os mestrados vão migrar para os doutorados. Ela considera que as dificuldades dos indígenas são as mesmas dos outros alunos.

“Carência em termos de leitura mais para o lado do conhecimento geográfico existe, mas isto a gente sente nos demais alunos, sendo que os indígenas são muito interessados e se superam”, relata. Entre os alunos do Isikiran, alguns, como os Yanomami, mal falam o português e outros, como os Macuxi, que estão mais imersos na sociedade dos não índios, falam o português com fluência. Por meio de convênios, a UFRR recebe alunos de outros países. Se aceitamos estrangeiros, por que não admitir os indígenas na universidade”, indaga a professora.

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