12 de abril de 2015

Renata Lo Prete salva a Globo News do blá-blá militante e vazio

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Mais gente ou menos gente nas ruas: que diferença faz?  

Mara Paraguassu 

No protesto deste domingo agucei minha curiosidade jornalística e cidadã ligada na Globonews, a emissora que cobriu as manifestações contra Dilma e o PT em 24 Estados e no Distrito Federal. O verde-amarelo de novo iluminou a Esplanada dos Ministérios, com 25 mil pessoas, mas ir até lá, como fiz em 15 de março, exigiria vencer indisposição causada por incômoda dor no ombro, que me aflige de quando em vez.

A emissora que faz parte do grupo a que pertence a outra mais poderosa que o PT diz viver dia e noite fustigado por ela colocou o estafe de sempre para comentar os protestos nas capitais brasileiras, de olho muito especialmente em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

A todo instante, a jornalista Cristiana Lobo e outros menos acionados destacavam a comparação numérica entre o ato de 15 de março e o de hoje, 12 de abril, de nada relevante a informação, mas compreensível na mediocridade jornalística que idolatra números – o que é mais abundante do que se imagina – em detrimento da complexidade do processo político e econômico pelo qual passa o país, e no qual estão mergulhados jovens líderes de movimentos nascidos nas redes sociais.

O “Vem pra Rua”, o “ Movimento Brasil Livre” e “Revoltados On Line” vieram para ficar, mobilizam as pessoas pelas redes sociais e sofrem ataque de certos petistas que, por anacrônicos e atordoados com a rejeição nas ruas, se utilizam do recurso que sempre souberam manejar – a difamação e desqualificação dos que elegem como adversários, especialistas que são até dentro do próprio partido. Militantes de TV e blogs bem pagos endossam de forma sutil ou escancarada essas agressões.

Felizmente, a tática tem se revelado inútil, e esses movimentos, é bom registrar, não têm como preocupação principal levar mais gente para a rua a cada ato convocado e esgotar no “Fora Dilma” a pauta dos protestos.

A jornalista Renata Lo Prete, que revelou ao Brasil a história do mensalão ao entrevistar Roberto Jefferson, salvou a Globonews do blá-blá militante e vazio. Profissional competente, encerrou: não há convulsão social no país, quadro que ensejaria crescente presença nas ruas, mas a desaprovação ao governo Dilma persiste de forma generalizada.

A capilaridade, disse a jornalista, era o centro da estratégia dos organizadores, que conseguiram expandir os protestos de 241 para 450 cidades. Renata também trouxe os números da pesquisa Datafolha de sábado, em que mais de 60% da população é favorável a abertura de um processo de impeachment da presidente. 60% consideram seu governo ruim.

Essa e outras pesquisas apontam: mais gente ou menos gente nas ruas não faz diferença. A diferença que faz é a política ter entrado na agenda das pessoas. Os protestos de hoje evidenciaram fortemente essa benfazeja onda.

O Vem pra Rua avalia o dia. E vai formalizar ao Congresso Nacional o pedido de voto distrital puro e não obrigatório.

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