6 de novembro de 2010

Madeira-Mamoré renasce do abandono em Porto Velho

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Foto: Dana Merril

Ana Aranda

Praticamente abandonada pelo estado na década de 1970, quando o governo federal determinou a sua desativação, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré está sendo revitalizada no trecho tombado como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde a antiga estação de passageiros no centro de Porto Velho, até a extinta vila de Santo Antônio, onde está sendo construída a Usina Hidrelétrica (UHE) de Santo Antônio. No mesmo trecho, com recursos das compensações sociais das obras da hidrelétrica, será construído um museu a céu aberto, com estações que vão ajudar a contextualizar a história da ferrovia. Também está prevista a construção de uma estrada paralela aos trilhos.

Com reinauguração prevista para novembro, a praça da Madeira-Mamoré mesmo antes da retirada dos tapumes da obra já está chamando a atenção dos moradores. O mirante construído na avenida Farqhuar está sendo freqüentada por um grande número de pessoas. No local foram instalados quiosques que ainda não estão funcionando. Dois galpões trazidos em peças pré-moldadas pela empresa norte-americana que construiu a ferrovia já foram recuperados pela prefeitura com recursos do Ministério do Turismo, emendas parlamentares e recursos das compensações sociais da usina. Eles serão adaptados para funcionar como um centro cultural e gastronômico. A praça foi reurbanizada. O imponente galpão onde ficava a oficina será a sede do museu.

Foto: J. Gomes

Uma das locomotivas do complexo ferroviário foi recuperada, mas o tão sonhado retorno dos trens à linha de ferro certamente vai exigir um esforço extra para a retirada de centenas de casas construídas ao longo da ferrovia. Algumas estão praticamente no leito da estrada e nos últimos meses o número de casas está crescendo a olhos vistos. As regras de segurança exigem que pelo menos quatro metros de casa lado do trilho esteja desocupado para a passagem dos trens.

Foto: J. Gomes

A Madeira-Mamoré foi construída no início do Século XX para servir como um ponto de escoamento de produtos bolivianos pela bacia do Rio Amazonas até o Atlântico. Com 360 quilômetros, desde Porto Velho até Guajará-Mirim, a obra estava voltada para o escoamento da borracha, produto que perdeu valor no mercado internacional no mesmo período em que a ferrovia começou a funcionar. A construção custou o sacrifício de milhares de trabalhadores de diversas nacionalidades, que enfrentaram grandes dificuldades com as condições sanitárias da região, propícia a doenças entre as quais se destacava a malária, ou impaludismo, como se chamava na época.

 

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