22 de novembro de 2015

Palácio Getúlio Vargas vai abrigar Museu da Memória Rondoniense

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Espaço terá acervo coletado pelo médico Ary Tupinambá Pinheiro, material arqueológico, Museu Geológico e obras ganhadoras do Salão de Artes de Rondônia

Autor: Ana Aranda

Palácio Presidente Vargas foi inaugurado em 1954 - Foto Daiane Mendonça/

Palácio Presidente Vargas foi inaugurado em 1954 – Foto Daiane Mendonça/Secom

O Estado de Rondônia completará 34 anos de instalação em janeiro próximo e só tem um museu com condições adequadas de exposição, acondicionamento, preservação e realização de ações educativas permanentes. Trata-se do Centro de Pesquisas e Museu Regional de Arqueologia de Rondônia, situado no município de Presidente Médici. Já Porto Velho é a única capital brasileira que não tem um museu público aberto diariamente, com exposições de curta e/ou longa duração. Um triste atestado da falta de cuidado com a memória do lugar, um título nada honroso que poderá ser abolido com a concretização do projeto do Museu Palácio da Memória Rondoniense, no Palácio Presidente Vargas, que recentemente deixou de ser sede do governo estadual, com a mudança do mesmo para o Centro Político Administrativo, na avenida Farqhuar.

A destinação do Palácio Presidente Vargas para um museu é uma reivindicação da própria sociedade, que manifestou tal desejo em redes sociais, de acordo com a diretora do órgão, Ednair Oliveira. Deputados estaduais também apoiam a ideia, que foi oficializada por meio do Termo de Destinação e Responsabilidade numero 004/2015 ,publicado no DOE de 30 de setembro de 2015, sendo que o Governo está trabalhando em uma minuta de lei para garantir que o museu fique para sempre no elegante palácio construído nos altos da avenida Presidente Vargas e inaugurado em 1954 no centro histórico de Porto Velho.

A criação do Museu Palácio Memória de Rondônia vai resgatar o Museu Estadual de Rondônia (MERO), o primeiro criado em Rondônia, quando ainda era um Território Federal, inaugurado em 1965, por uma figura emblemática da história local, o dr. Ary Tupinambá Pinheiro, o mesmo que dá nome ao Hospital de Base. Além de médico muito querido pela população de Porto Velho, Ary Pinheiro era um apaixonado pela região, sobre a qual fez diversas pesquisas. Foi ele quem coletou as cerca de 2.000 peças que formavam o MERO, um museu criado com formato moderno, com um quadro de 19 funcionários de diversas especialidades.

Acervo deteriorado

Pesquisador e estudioso compenetrado, Ary Tupinambá sabia o quanto era importante um museu para a formação do povo rondoniense. Talvez nem desconfiasse do modo como seria tratado o material coletado em penosas viagens pela floresta. A longa itinerância do acervo, que já foi exposto em diversos prédios da Capital – inclusive no Palácio Getúlio Vargas para onde deverá retornar – foi se perdendo ao longo do tempo, ao sabor da falta de interesse dos governos de plantão. Calcula-se que tenha sobrado cerca de um terço das duas mil peças que Ary Tupinambá doou ao

Território Federal de Rondônia.

O acervo do MERO é composto de artefatos arqueológicos, etnográficos, históricos e zoológicos. Ao material doado por Tupinambá, foram agregadas outras peças ao longo do tempo. Quando foi criado, a finalidade era a pesquisa, coleta, classificação e exposição da fauna, flora, minérios e objetos históricos, folclóricos e antropológicos da região. As áreas de atuação do museu eram Antropologia, Arqueologia, Botânica, Vertebrados, Entomologia, Geologia, Etmologia, Geografia, Patrimônio e Artes e havia um coordenador para cada área. Em 2009, foi celebrado um termo de cooperação técnica com a empresa Scientia Consultoria Científica e iniciou-se o processo de curadoria, catalogação e conservação do acervo.

O MERO conta ainda com peças recolhidas pelos arqueólogos dr. Eurico Miller, Josuel Ravani e Júlio Steglich, na região do Guaporé e Pacaás Novos, e outras coletadas por garimpeiros, na área conhecida como Araras, no Alto Madeira,nas décadas de 1980 e 1990. Com mais de três mil peças catalogadas, o acervo do MERO retrata a evolução biológica, geológica e cultural da região de Rondônia.

Museu Geológico

O Palácio Museu da Memória Rondoniense também vai abrigar o Museu Geológico, uma coleção de rochas e minerais do Estado e de outras regiões do Brasil, com mais de 440 amostras catalogadas. O acervo foi cedido para o governo de Rondônia pela Associação dos Geólogos Profissionais de Rondônia.

Artes plásticas

Também farão parte do novo museu, as obras vencedoras dos SARTs (Salão de Artes de Rondônia) adquiridas pelo governo do Estado. As obras formam uma importante coleção de trabalhos de artistas plásticos do Estado, que finalmente deve ganhar um local definitivo e apropriado para exposição.

Museu moderno

O projeto de criação do Museu Palácio da Memória de Rondônia está alicerçado em uma concepção moderna de museu e deverá ser implementado em um período de dois anos. Aproveitando a área de 1.460 metros quadrados do Palácio Getúlio Vargas, serão destinados espaços para auditório, biblioteca e exposições. O gabinete do governador será preservado e poderá ser utilizado em ocasiões especiais. O projeto prevê a aquisição de outros acervos que possam enriquecer o material já disponível.

Reprodução permitida com citação da fonte: Ana Aranda – amazoniadagente.com.br

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