19 de julho de 2019

Odontóloga recém formada encontra trabalho temporário em brechós

Compartilhe:

Formada em  Odontologia  e mãe há dez meses, Quézia Duarte vende roupas plus size e dá lição de sustentabilidade.

Autor: Ana Aranda

Quézia fala como começou a trabalhar com Brechó.

Quézia fala como começou a trabalhar com brechó

Quézia tem 25 anos, terminou o curso de odontologia há dois e há quatro meses vende roupas usadas na casa da avó, no bairro Areal, em  Porto Velho. O brechó, uma tendência mundial, que dá nova  vida a roupas que muitas vezes mofavam nos fundos dos armários, aos poucos vem aparecendo em Porto Velho, mas já é uma realidade em outras cidades, como Mogi das Cruzes, em São Paulo, onde a jovem adquire as roupas que vende. “Lá a gente encontra muita coisa em bazares beneficentes, que recebem as roupas de doações”, explica ela. Como compra baratinho, também tem condições de oferecer um precinho bem em conta. Assim, todos saem lucrando – a comerciante, as consumidoras e, principalmente, o meio ambiente, destaca Quézia.

“As pessoas falam muito da poluição provocada pelo plástico e esquecem que as roupas também demoram a desaparecer na natureza e os brechós são uma forma de reciclá-las”, ensina. “Uma tecido pode demorar até cem anos para se decompor na natureza e o jeans, por exemplo, gasta milhares de litros de água para ser produzido”.

O brechó da Quézia tem outro apelo humanista. Batizado de “Tudo GG”, ele atende ao público plus size, com tamanhos a partir do número 40. “Sempre gostei de comprar em brechós e, assim, descobri, que poucos oferecem roupas com tamanhos maiores. Oferecer roupas plus size também é gratificante porque sei como é frustrante não encontrar uma roupa adequada ao meu corpo”.  Mãe há 10 meses da pequena Sofia, ela diz que engordou com a gravidez e as próprias roupas que deixou de usar depois do parto foram as primeiras peças do negócio.

19072017-DSC_1330

A gravidez, relata, foi um dos fatores que a incentivou a trabalhar com brechó. Ela precisou fazer repouso durante a gravidez, tendo que adiar o trabalho de odontóloga. “Queria um trabalho que me permitisse ficar perto da Sofia e ao mesmo tempo ajudasse no orçamento”, relata.

Vida nova a roupas de até 30 anos

As roupas comercializadas no “Tudo GG” são, na maioria, de décadas atrás, e as peças são muito mais duráveis do que as encontradas atualmente nos grandes magazines. “A gente encontra calças jeans de 20, 30 anos bem conservadas, com modelagens que estão na modas. Parece que foram confeccionadas ontem”, compara.

A jovem enfatiza que a reciclagem de roupas também evita a compra de produtos confeccionados com mão de obra análoga a de escravos, prática muito comum hoje na indústria de vestuário, com a exploração de migrantes  da Bolívia, Venezuela e outros países.

Antes de colocar as peças à venda,ela higieniza e faz pequenos reparos. As roupas – e também sapatos e bijuterias – são vendidas por preços bem acessíveis, a partir de R$ 5. Quézia aproveita os conhecimentos que adquiriu como influenciadora digital para divulgar os produtos no Instagram.

19072017-DSC_1328

 

Brechós enfrentam preconceito

Todas as tardes, ela expõe e vende as peças em um espaço da casa da avó e também faz entregas a domicílio.

Para se aprimorar, ela procura se informar e está fazendo um curso de empreendedorismo pelo sistema de Ensino À Distância (EAD) do Instituto Federal de Rondônia. Kézia lamenta o preconceito que ainda existe contra as roupas usadas. “Muita gente chama de roupa velha, mas na verdade os brechós oferecem peças maravilhosas, por preços muito mais acessíveis do que o mercado tradicional”.

Enquanto espera a pequena Sofia ficar maiorzinha e ter melhores condições para exercer a odontologia, Quézia pretende continuar as vendas no brechó. “É um trabalho diferente, que eu gosto e ajuda no orçamento doméstico”, explica.

 

Despesas  divididas nas vendas coletivas

Irmã de Quézia,  Rebeca Duarte, 21 anos,  tem um  brechó em Mogi das Cruzes, São Paulo, e conversou com o Amazônia da Gente em Porto Velho, onde passa umas férias.

Rebeca Duarte é dona de Brechó em Mogi das Cruzes - SP.

Rebeca Duarte é dona de Brechó em Mogi das Cruzes – SP.

Ela explica que em Mogi, os brechós já são uma tendência e lá são comuns as vendas coletivas em feiras que reúnem  pequenas empreendedoras . As participantes dividem despesas e todas saem ganhando. Esta tendência também está chegando em Porto Velho, informa Roberta.

As donas dos brechós geralmente são jovens que estão começando a vida profissional, como Rebeca, que freqüenta faculdade de “Negócios da Moda”. A venda de roupas ajuda nas despesas com os estudos.

Depois de formada, ela pretende ter um espaço coletivo, para viabilizar a venda de roupas usadas e o trabalho de artistas, artesãos e outras pessoas que trabalham com sustentabilidade. “O trabalho coletivo abraça muito esta questão dos brechós, da sustentabilidade e já está se tornando uma tendência”, considera.

 

19072017-DSC_1331 copy

 

 

Tags:

Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PUBLICIDADE