15 de março de 2015

O exército verde-amarelo

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Depois deste domingo, não dá para o governo continuar no lero-lero de que as manifestações nada querem dizer e são apenas falsa indignação de uma gente endinheirada, a elite, ou da classe média que não tem nada para fazer e que deveria ficar em berço esplêndido sendo espezinhada a todo instante por petistas como Marilena Chauí.

Em evento comemorativo aos 10 anos do PT no poder central, ela declarou ódio à classe média diante da aprovação de um sorridente Luiz Inácio Lula da Silva, que em acontecimento mais recente mandou João Pedro Stédile colocar o exército do MST nas ruas.

Outro gesto de ódio, que só acirra posições extremadas de partidários políticos. A verborragia de Lula não é inocente e ela só tem prejudicado o PT, um grande partido que aos poucos, pelo exercício da arrogância – fatal na política – e da hipocrisia mergulha em processo no qual tem merecido cada vez mais a repulsa da sociedade.

Sinceramente, não sei aonde querem chegar o partido e governo que promovem autoengano e são incapazes de reconhecer erros para corrigir rumos.

O exército verde-amarelo que tomou conta das ruas neste 15 de março faz história com H maiúsculo. Quando mais de 1 milhão de pessoas em São Paulo, convocadas pelas redes sociais, deixam suas casas num domingo para se manifestar contra o governo e a corrupção, de forma espontânea, definitivamente o Brasil mudou.

Em Brasília, foram 45 mil pessoas que acionadas pelo Movimento Brasil Livre, Revoltados OnLine e Vem Pra Rua coloriram as largas avenidas da Esplanada dos Ministérios e o gramado do Congresso Nacional em manifestação de elevado caráter cívico, com muitas bandeiras e discursos moderados a favor da união, contra a corrupção e inépcia de um governo que venceu sem ter vencido de fato.

Periféricas e sem nenhum relevo foram as posições pela intervenção militar, rechaçadas pelas pessoas que pacificamente preencheram a arquitetura brasiliense de verde e amarelo, e ao final de tudo recolheram a sujeira do gramado e aplaudiram duas instituições respeitadas por aqui _ os Bombeiros e a Polícia Militar.

Já se sabe o que vem agora: esperneio por ter perdido o protagonismo das ruas, preenchidas não pela convocação de corroídos sindicatos e seus carros de som; desqualificação dos atos políticos espontâneos e pacíficos de pessoas de idade e classe social diferentes com o argumento de que a pauta é difusa, não há foco e por fim o perigoso clichê de que os que foram às ruas são elite, eleitores de Aécio Neves, golpistas que querem tirar Dilma Rousseff da Presidência da República.

Se o governo seguir também nessa toada, é a antecipação de seu cadafalso. Tudo indica que o exército verde-amarelo não sairá das ruas, e muito mais pessoas a ele estão querendo se alistar.

*É jornalista

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Comentários

  • Maria costa disse:

    Este texto está perfeito. É exatamente o que milhares de brasileiros gostariam de dizer, outros milhares, de se informar através dessas verdades verdadeiras. É preciso que os comunicadores colaborem trazendo à tona os fatos que o povo precisa saber. E não, esconder.
    Parabéns à jornalista Mara Paraguassu, que tão bem resumiu o que foi e o que significa para o brasil esse exército de brasileiros, pessoas conscientes dos fatos graves que estão ocorrendo nestes anos de governo do PT e que, embora tenhamos acreditado, agora, não acreditamos mais. Nós, o povo, não somos bestas, não queremos mais enganações.

  • Lenilson Guedes disse:

    Parabens jornalista

    • Mara disse:

      Obrigada Lenilson. Fico embasbacada com o PT. Foi a classe média quem elegeu Lula, quem acreditou no Lula e PT durante tanto tempo. E foi ela quem ajudou na formação do Partido,e m São Paulo. E agora é tratada com preconceito e raiva. Depois dizem que a classe média é quem destina ódio. Abraço amigo.

  • FRANCISCO XAVIER GOMES disse:

    Vou resumir o texto em uma palavra: sensacional!!!

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