2 de novembro de 2010

Livro reúne trabalhos acadêmicos de autores indígenas

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Para quem se interessa pela questão indígena, o Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (Cinep) está disponibilizando o livro Olhares Indígenas Contemporâneos, uma coletânea que reúne seis artigos de autores indígenas produzidos a partir de teses de doutorado e dissertações de mestrado, defendidas entre 2008 e 2010, e de uma pesquisa sobre o perfil dos estudantes universitários indígenas no Brasil.

Rita Gomes do Nascimento, da etnia Potiguara, abre o volume com o artigo ‘Performances e experiências de etnicidade: práticas pedagógicas Tapeba’, em que discorre sobre as razões da proeminência dos professores indígenas como mediadores políticos e representantes das comunidades indígenas junto à sociedade envolvente.

Edilson Martins Melgueira, da etnia Baniwa, investiga os classificadores nominais da língua baníwa, do rio Içana, buscando discutir conjuntamente léxico, morfossintaxe e contexto discursivo, bem como refletir a maneira Aruák Baníwa de ver, sentir e organizar os elementos que constituem seu universo.

Florêncio Almeida Vaz Filho, do povo Maytapu, faz uma etnografia dos processos de mobilização étnica envolvendo cerca de 40 comunidades na região do baixo rio Tapajós, na Amazônia, que passaram a se identificar publicamente como indígenas no final da década de 1990.

Vilmar Martins Moura Guarany, indígena Guarani, realiza uma análise sobre a relação das áreas de meio ambiente e de direitos indígenas. Para isso, faz uma descrição dos principais instrumentos e acordos internacionais relacionados à definição do conceito de “desenvolvimento sustentável”.

Rosani de Fátima Fernandes, da etnia Kaingang, trata dos processos de resistência e luta pela sobrevivência dos Gavião Kyikatejê, desde sua transferência do atual estado do Maranhão até a constituição da reserva Mãe Maria, no Pará, abordando a recuperação da sua autonomia, em 2000, em relação aos Parkatejê.

O artigo final, assinado pelo Cinep, apresenta o perfil do estudante indígena na universidade, montado a partir de uma pesquisa realizada pela entidade com 481 acadêmicos indígenas, dentro de um universo estimado em 6.000 estudantes indígenas matriculados no ensino superior em todo o Brasil.

Mesmo com uma presença crescente de indígenas no ensino superior, as teses e dissertações produzidas por estes estudantes não têm recebido apoio para divulgação e publicação. Muitas são as razões para este anonimato, uma das quais é a forte concorrência das produções não indígenas sobre a temática indígena, imperando no imaginário brasileiro a visão de que os estudiosos brancos é que devem abordar o assunto.

Cinep

Fundado em 2005, o Centro Indígena de Estudos e Pesquisas (Cinep) é uma associação civil, sem fins lucrativos, com sede em Brasília – DF. A entidade foi criada para promover, apoiar e executar atividades de formação e qualificação direcionadas a profissionais, lideranças e universitários indígenas das diferentes regiões do país, com o objetivo de qualificar e orientar a formação política e acadêmica para a luta dos povos indígenas do Brasil. Também faz parte do Cinep o Observatório de Direitos Indígenas (Odin), que possui suas atividades coordenadas por um advogado indígena.

Serviço

Olhares Indígenas Contemporâneos
Preço – R$ 30,00
Onde encontrar – Sede do Cinep, em Brasília: SRTVS – Centro Empresarial Assis Chateaubriand – Quadra 701 – Conjunto 01 – Bloco 01 – nº38 – Sobreloja – Salas 25/26.
Pedidos pelo email jo@cinep.org.br ou pelo telefone (61) 3225.4349, tratar com Jô Oliveira.

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Comentários

  • Valéria Labrea disse:

    Prezad@ Escrit@r e/ou Ilustrad@r,

    A Diretoria de Livro, Leitura e Literatura (DLLL) do Ministério da Cultura está organizando um mapeamento em todo o Brasil de escritor@s, ilustrador@s e entidades que trabalham com foco nos autores, permitindo conhecer melhor as demandas e as necessidades do setor.

    Esta pesquisa tem como objetivo buscar subsídios para o desenvolvimento de programas, projetos e ações relacionadas ao desenvolvimento e fortalecimento da cadeia criativa do livro.

    Gostaríamos inicialmente de conhecer o universo de autores, com informações sobre publicações, acesso e difusão das obras produzidas, processos de formação, eventos, pesquisas, participação em redes redes, bem como propostas de possíveis articulações com o poder público, por meio desta pasta.

    Sou a interlocutora designada pela DLLL para desenvolvimento desta pesquisa e estou à disposição para fornecer maiores informações através do email economiadolivro@gmail.com e telefone (61) 2024-2698.

    Para podermos iniciar o diálogo com autores, solicitamos que, por gentileza, respondam o pequeno questionário abaixo e o encaminhem para outros escirtor@s e ilustrador@s também responderem. O prazo para finalizar esta pesquisa é 15/08.

    01. Nome:
    02. Correio eletrônico:
    03. Sítio eletrônico:
    04. Fone:
    05. Publicações (listar as principais):
    06. Formação:
    07. Já participou de algum prêmio, concurso ou edital público (por exemplo: Editais da Funarte, FBN, MEC, Petrobras Cultural, MinC, etc.)? Qual e em que período:
    08. Descrever o impacto deste prêmio ou edital no seu trabalho: resultados, avaliação, outras observações que julgar relevantes.
    09. De que forma o governo federal, através do Ministério da Cultura, poderia contribuir para o fortalecimento do trabalho do escritor e ilustrador?
    10. Quais as principais demandas e necessidades dos escritores e ilustradores, a fim de dar sustentabilidade ao trabalho desenvolvido?

    Muito obrigada,

    Valéria Viana Labrea
    Consultora UNESCO – Cadeia Criativa do Livro
    Coordenação Economia do Livro
    Diretoria do livro, leitura, literatura e bibliotecas/MinC/FBN
    Fone 61 81789505
    economiadolivro@gmail.com

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