4 de novembro de 2010

Kaxinawas em pé de guerra contra miséria querem mercado para vender artesanato

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     Abdoral  Cardoso

A um dia de viagem de Jordão em pequenas embarcações e a 640 km da capital acreana, Rio Branco, vivem esquecidos e em situação abaixo da faixa da pobreza, fator criado pelos próprios brancos para identificar as pessoas miseráveis, os remanescentes de mais de 30 aldeias dos índios Kaxinawa. A maioria, às margens do rio Juruá, onde as mulheres apostam na criatividade e divulgação do artesanato indígena como alternativa para ajudar os maridos e filhos na sobrevivência.

O índio Nixiwaka Kaxinawa, batizado pelos catequistas como Francisco das Chagas Maia, ficou desolado por não conseguir uma passagem de avião para ir ao Rio de Janeiro participar de uma feira de artesanato indígena, onde pretendia divulgar algumas peças produzidas pelas índias. “Ia, também, em busca de apoio para levar energia e Internet para minha aldeia. Não podemos continuar excluídos”, protesta Nixiwaka.

No dia seguinte, desanimado com o “não” das autoridades locais, ele contou que perdera mais uma oportunidade e retornaria à aldeia Nova Cachoeira, à 2h de viagem de barco, para continuar, junto com o pajé, o trabalho de identificação de plantas medicinais com o objetivo de manter a tradição da cura por meio do uso das espécies da floresta entre os jovens. É assim que ele se prepara para assumir a chefia da aldeia.

Ele afirma que os índios chegaram a abrir um ponto de venda de artesanato no centro da cidade, mas a dificuldade de acesso das pessoas ao município, que só é possível por meio de barco e em pequenos aviões, prejudicou a comercialização e atualmente o espaço está fechado.

Mas o segredo da mulher índia para vencer a miséria está na criatividade e escolha do desenho das pulseiras, colares, mantas, redes e prendedores de cabelo, que pode agregar valor ao artesanato indígena da região. Segundo Ozélia Kaxinawa, chefe de 32 aldeias há 40 anos, quanto mais bonito for o desenho e seu grau de dificuldade de confecção, maior será o valor da peça.

Ozélia explicou, ainda, que toda produção do artesanato é uma tarefa das mulheres índias para ajudar os homens que pescam e cultivam a agricultura, plantando principalmente macaxeira, milho e banana.

Em 2008, o IBGE divulgou estudos que mostram Jordão como o segundo município brasileiro mais pobre do Brasil. Seu IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – é de 0,475 e fica a frente apenas de Manari (PE).

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