29 de abril de 2016

Inseticidas mais eficientes, metal pesado em bijuterias, diarreias em Porto Velho – pesquisa avança em Rondônia

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Foto Maicon Lemes/ Secom/RO

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Autor: Nonato Cruz – Secom/RO

A busca pelo conhecimento e solução de problemas locais têm encontrado terreno fértil em Rondônia. De alunos do ensino básico a doutores, é cada vez maior a produção científica regional. “Há uma quebra no paradigma”, avalia Francisco Elder de Oliveira, presidente da Fundação Rondônia de Amparo à Pesquisa, Ciência e Tecnologia (Fapero), de onde partem as chamadas públicas para a seleção pesquisadores.

Nos últimos dois anos, o governo de Rondônia investiu mais de R$ 22 milhões na área de pesquisa e os resultados são visíveis. O apoio chega aos futuros cientistas em forma de bolsa, que beneficia professores e alunos selecionados nas chamadas públicas.

O presidente da Fapero costuma ir pessoalmente difundir a ciência e a pesquisa nas escolas, inclusive no interior do estado. “Há uma demanda que começa a ser atendida. Os estudantes compreendem que tudo isto é importante para o seu universo e é isto que ensinamos”, diz ele.

A Iniciação Científica Júnior (ICJ) é uma das frentes em que a Fapero atua para estimular a pesquisa entre os alunos do ensino básico. As chamadas selecionam projetos que revelam a preocupação dos estudantes com temas relacionados ao cotidiano.

Para o professor de química Luís Fernando Lira Souto, do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (Ifro) de Ji-Paraná, a Fapero é fundamental no projeto que investiga a presença de materiais potencialmente tóxicos em bijuterias comercializadas no município de Ji-Paraná.

Ele conta que as investigações iniciaram com a proposta de uma aluna e tinham por base a constatação de que materiais tóxicos foram encontrados em quantidade acima do permitido em bijuterias importadas e que estavam sendo vendidas livremente em São Paulo.

“Começamos o trabalho, mas tínhamos poucos recursos. Quando descobri o edital da Fapero inscrevi o projeto. A aprovação veio em boa hora”, conta Luís Fernando.

Alerta

Com os recursos captados através da fundação, o projeto avançou. Os pontos de venda dos produtos suspeitos foram catalogados e, mais tarde, escolhidos por sorteio para a coleta de material para exames.

Os resultados confirmaram as suspeitas. “Atestamos que havia concentração de chumbo e níquel acima do recomendado pela legislação europeia e também pela portaria do Inmetro que trata do assunto”, revela o professor.

Exames realizados fora de Rondônia confirmaram os resultados iniciais. Estimulados pelo sucesso da pesquisa, o professor quer prorrogar o trabalho para ampliar as investigações e saber se o cádmio também está entre os produtos nocivos que estão sendo comercializados nas bijuterias.

Luís Fernando espera que a conclusão da pesquisa sirva de orientação para que o poder público crie regras específicas para a venda das bijuterias e amplie a fiscalização sobre os produtos importados que podem fazer mal à saúde dos brasileiros.

Sobre os estudantes que fazem parte da equipe de pesquisa, o professor só tem elogios. “São curiosos, interessados. Alguns saem daqui direto para grandes universidades do país”, revela.

Inseticidas

Estão em andamento, também, pesquisas que buscam fontes de novos inseticidas a partir da diversidade da fauna amazônica e para entender razão da matemática ser “a vilã dos acadêmicos do curso de engenharia”.

Francisco Elder considera os investimentos no desenvolvimento de pesquisas um novo tempo para Rondônia, ao mesmo tempo em cria expectativas em relações a questões particulares relacionadas à saúde, por exemplo.

Ele cita um projeto do Programa de Desenvolvimento Científico Tecnológico Regional (DCR), em que a pesquisadora Lediane Amorim Soares Galvão desenvolve estudos sobre a identificação e caracterização dos vírus gastrointestinais isolados em crianças de zero a cinco anos de idade, na região de Porto Velho. Há estudos amplos sobre o tema no país, mas a investigação regional leva em conta características específicas locais, que, por sua vez, podem indicar novos rumos no tratamento das doenças.

No DCR atuam doutores que são chamados para produzir estudos em Rondônia. Eles também recebem bolsa para este fim. O tempo da pesquisa vai de dois a quatro anos e, ao final, mas há casos em que o convidado decide ficar em Rondônia para continuar seu trabalho.

O objetivo da Fapero bancar e fomenta a pesquisa. Para isto, utiliza recursos do estado e de instituições federais. “É um fato inovador que ocorre aqui. O governador Confúcio Moura tomou a iniciativa e os resultados estão aparecendo”, argumenta Francisco Elder.

Os recursos para ciência e tecnologia, em geral, não são fartos como deveriam, avalia o presidente da Fapero. Em geral, segundo ele, como a iniciativa privada não contribui o poder público fica com a responsabilidade de investir.

“Temos em andamento algo novo no campo da pesquisa. E Rondônia tem muita sede de ciência”, conclui.

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