3 de julho de 2018

Indígenas de Rondônia precisam de apoio para produzir e vender

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Produtos das aldeias fazem sucesso na Feira de Produtos Indígenas realizado no Espaço Alternativo em Porto Velho.

Autor: Ana Aranda

Feira de Produtos Indígenas realizada no Espaço Alternativo em Porto Velho - Foto Amazônia da Gente

Feira de Produtos Indígenas realizada no Espaço Alternativo em Porto Velho – Foto Amazônia da Gente

A Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé realizou, recentemente em Porto Velho, um treinamento de comercialização para um grupo de 30 indígenas do Estado. O treinamento abordou princípios de marketing, mercado e comercialização e representou uma oportunidade única de aprendizagem destas matérias para o grupo de 30 indígenas de quatro Terras Indígenas de Rondônia que participou do evento.

Sem condições de sobreviver apenas com os recursos de seus territórios, já que o entorno obriga a gastos crescentes com saúde e educação, entre outras despesas, os indígenas precisam de apoio para gerar renda, mas não têm apoio do poder público. O treinamento da Kanindé foi finalizado com a Feira de Produtos Indígenas, montada no Espaço Alternativo no último domingo.

Durante o evento, eles venderam o que haviam trazido das aldeias para comercialização: produtos agrícolas e uma variada coleção de artesanatos únicos, que retratam suas culturas. “Mas o mais importante, segundo a consultora da Kanindé Selma Borges, foi proporcionar uma integração dos indígenas com a população da cidade”.

Moadores das Terras Indígenas (TI) Pacaas, Sete de Setembro, Roosevelt e Uru-Eu-Wau-Wau participaram do treinamento da Kanindé e as dificuldades apresentadas se repetem. Falta transporte para a produção, divulgação dos produtos e apoio para a comercialização, além de maquinários para a produção das lavouras.

Transporte e comercialização

Feira foi uma oportunidade de integração dos indígenas e a população urbana - Foto Amazônia da Gente

Feira foi uma oportunidade de integração dos indígenas e a população urbana – Foto Amazônia da Gente

Edinaldo Oro Não, da TI Pacaas, relata que a aldeia Capoeirinha, onde vive, fica a quatro horas de viagem pelo rio Pacaas do ponto mais próximo de comercialização e as despesas com combustível reduzem o lucro da venda dos produtos. Já Ari Uru-EuWau-Wau vive a uma distância de 40 quilômetros de Governador Jorge Teixeira. A aldeia conta com um trator e um caminhão, obtidos por uma compensação da obra da hidrelétrica de Jirau, “mas não tem motorista”. Motoristas para caminhões e maquinário agrícola exigem carteiras de habilitação especiais e a expedição das mesmas é mais uma dificuldade nas aldeias. Na TI, eles produzem mandioca, banana, café e cacau, entre outros produtos.

O povo Uru-Eu-Wau-Wau conta com uma associação que apoia a produção , mas o transporte e a comercialização são mais complicados, segundo Teibu Uru-Eu-Wau-Wau. Ele aponta a necessidade de um intercâmbio com os compradores, para garantia de um preço justo. “Muitas vezes, o comprador é quem determina o preço e como o transporte é feito com carros fretados, as dificuldades obrigam os indígenas a vender o produto mais barato”, explica ele.

Artesanato indígena mostra traços da cultura indígena - Foto Amazônia da Gente

Artesanato indígena mostra traços da cultura indígena – Foto Amazônia da Gente

O povo Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, conta com associação, uma loja para a venda de artesanato em Cacoal e a certificação orgânica FSC para a castanha produzida na TI, o que já garantiu a venda de 50 sacas do produto para a Suiça em safras anteriores. Já o café dos Suruí foi classificado como um dos 30 melhores do Estado. Mesmo com estes avanços, há a necessidade de mais apoio para a melhoria da produção, comercialização e administração das vendas, segundo Neide Bandeira, uma das coordenadoras da Kanindé.

Responsável pelo apoio aos povos indígenas, a Funai (Fundação Nacional do índio) vem perdendo espaço e recursos ao longo dos últimos anos, lamenta a coordenadora.

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