8 de março de 2013

Grandes partidos abandonaram os direitos humanos

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PMDB e PSDB não indicaram membros para compor a CDHM

A eleição do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados só aconteceu porque os grandes partidos abandonaram a comissão. O desleixo já vinha de algum tempo, mas no período legislativo que se inicia a constatação do descaso ficou bem mais evidente.

PMDB e PSDB simplesmente não indicaram membros para compor o colegiado de 18 titulares e igual número de suplentes, abrindo mão para o minúsculo PSC, partido do rejeitado deputado, que tem apenas 17 deputados federais.

A bancada minúscula se agigantou na CDHM, com cinco representantes, também por certa culpa do PT, que durante a discussão do Colégio de Líderes para a escolha das comissões que tinha interesse em comandar, não fez caso da histórica bandeira pelas minorias e dignidade humana, cedendo mais um pouquinho ao pragmatismo que corrói o sistema partidário como um todo.

Antes da eleição da Mesa Diretora, e após ela, quando a discussão do Colégio de Líderes a respeito das comissões ganhou corpo, a CDHM estava no final da lista de prioridades, sendo uma espécie de patinho feio para os partidos.

O PT cedeu a ascendência que sobre ela tinha, logo agora, por ironia do destino, quando volta ao parlamento Nilmário Miranda (MG), o idealizador da CDHM em 1995, com respeitado currículo na área.

Na tumultuada sessão em que membros do PT, do PSOL e PSB deixaram a sala em protesto pela escolha de Feliciano, o também deputado evangélico Anthony Garotinho (PR-RJ), que nunca deu as caras na CDHM, disse que “não poderia se combater uma discriminação com outra discriminação” e que se o pastor Feliciano vir a demonstrar qualquer atitude homofóbica ou racista “nós seremos os primeiros a condená-lo”.

Referiu-se a colegas parlamentares evangélicos que crescem a cada eleição em número, um punhado deles de perfil fundamentalista, que se diz perseguido pela “ditadura gay”, como se em cada esquina das grandes cidades esses senhores que desvirtuam os ensinamentos cristãos fossem esquartejados com sua bíblia pela pregação que muitas vezes desarvora o transeunte trabalhador.

Tudo dominado

Agora, que Inês é morta e está tudo dominado – dos 18 titulares da CDHM 11 são evangélicos -, resta torcer para que o bom senso e a inteligência prevaleçam sobre  aberrações ditas por má fé ou ignorância por homens públicos que juraram acolher e respeitar a Constituição.

Mídia negativa

No dia 6, quando a sessão foi suspensa por conta da pressão causada pelos movimentos sociais presentes, Marco Feliciano foi cercado pelas câmeras e microfones de tevês,o que mereceu uma comemoração efusiva por parte de seus assessores, satisfeitos com a visibilidade obtida. É aquela velha história: falem bem ou mal mas falem de mim.

Vítima

No dia seguinte, quando o deputado Henrique Alves (PMDB) proibiu o acesso de ativistas na sala da sessão de votação, Marco Feliciano, agora acusado de ter cometido estelionato, avisa que é  vítima. Disse ser perseguido, e que não poderia ser condenado por causa de 140 caracteres. Coitado.

Surreal

Do surrealismo que sacudiu a CDHM por estes dias, colocar a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), coordenadora da Comissão da Verdade, como suplente, foi dos mais revoltantes. Erundina desenvolve ainda exemplar e longo trabalho a favor da democratização dos meios de comunicação. Faltou respeito por parte de seu partido e da Casa.  Jair Bolssonaro é da tropa de choque indigesta na suplência da comissão.

Email: maraparaguassu@amazoniadagente.com.br

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