31 de maio de 2016

Coordenador do CAPES analisa impactos da redução de recursos na pós-graduação e na pesquisa

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Eustógio Dantas considera que avanços na educação reduzem impacto da redução de verbas

Eustógio Dantas considera que avanços na educação reduzem impacto da redução de verbas

Autor: Ana Aranda

O coordenador da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, fundação do Ministério da Educação), da área de Geografia, professor doutor Eustógio Wanderley Correa Dantas, participou do V Seminário Regional Norte-Nordeste de Pós-Graduação em Geografia, realizado de 25 a 27 de maio em Porto Velho, e conversou com o Amazônia da Gente sobre os possíveis impactos da crise política e econômica que vive o Brasil no oferecimento de cursos de pós-graduação e pesquisa nas universidades federais.

Amazônia da Gente – Na sua opinião, como a crise política e econômica que vivemos no Brasil poderá influenciar a realização de cursos de pós-graduação e de pesquisas nas universidades federais?

Eustógio Dantas – Eu tenho uma visão positivista no que concerne ao tema educação. Acho que muito se avançou. Conseguimos instituir um sistema no domínio da pós-graduação que tem um reconhecimento internacional. Formamos um conjunto de pessoas que dispõe de capacidades e competências e produzem um trabalho de competências tanto nacional como internacional e que justifica, inclusive, convênios em escala internacional, que se constituíram no tempo. Conseguimos, de certa forma, romper com a lógica da produção de conhecimento mais concentrada – no caso do Brasil mais especificamente no sudeste. Hoje, existe uma produção no domínio da geografia em escala nacional, o que denota uma ciência de fato nacional e reforça de uma certa maneira que existe no país uma produção de conhecimento de qualidade e com diversidade teórica, conceitual e metodológica. Nós dispomos de uma estrutura consolidada, resultante de uma conjuntura que foi relativamente favorável, principalmente nos últimos anos.

Com as contingências {que hoje se apresentam}, a pós-graduação em escala nacional deve ser repensada, reestruturada e, neste sentido, talvez até devamos pensar no que é estratégico e o que não é estratégico e, assim, estabelecermos as ações a serem implementadas.

Amazônia da Gente – O presidente em exercício, Michel Temer, já anunciou uma redução nas verbas para a educação. Como o senhor analisa este fato?

Eustógio Dantas – Eu faço parte de uma geração que aprendeu a lidar com as dificuldades, cuja crise era uma variável constante em nossas vidas e nós sempre tivemos, a partir do trabalho que desenvolvemos, ações que possibilitaram suplantar estes contextos desfavoráveis. No fundo, no fundo, eu acredito nas instituições. A crise econômica é um fato, é um dado, nós não podemos desconsiderar, mas, temos que, neste sentido, redimensionar as ações. A crise política deve ser resolvida. Acho que a nossa contribuição deve ser no sentido de tentar entendê-la e estabelecer leituras.

Amazônia da Gente – As regiões Norte/Nordeste historicamente contam com menos recursos para cursos de pós-graduação e para pesquisa. Como o senhor analisa este fato?

Eustógio Dantas – Na realidade, existe uma densidade histórica. O tempo da pós-graduação no Brasil, considerando dadas instituições, é diferente. Existem aquelas que são mais antigas e, por consequência, são mais consolidadas, e aquelas que são mais novas, com uma trajetória mais recente, sendo que as mais antigas têm mais possibilidades de captação de recursos. Isso não significa dizer que não existem ações adotadas pelo governo voltadas à distribuição para instituições mais recentes. Temos termos que garantem que no mínimo 30% dos recursos destinados à pós-graduação têm que ser direcionados para a região Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o que possibilitou um direcionamento maior de recursos para estas regiões. Hoje este quadro se torna mais complexo porque instituições que se encontram no Centro –Oeste, como a UNB, que adquiriram um nível maior de maturidade, participam desta redistribuição, o que tornou os 30% uma limitante, porque elas teriam capacidade de, inclusive, incorporar um volume maior de recursos do que atualmente eles incorporam. O percentual de 30%, que foi colocado como o mínimo, virou o teto e se tornou um problema para estas instituições que são mais dinâmicas. Sendo que há uma concorrência, no interior desta região, destas instituições mais maduras com aquelas que não alcançaram este patamar de desenvolvimento.

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