24 de fevereiro de 2016

O marketing e a política como guerra: um debate necessário

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Sempre me causaram inquietação e constrangimento, por ver a política em nível rastejante, campanhas grandiosas tocadas por marqueteiros endeusados, como se fossem mágicos a descortinar num passe do enquadramento da câmera a solução para todos os problemas do Brasil.

Nada contra os profissionais do marketing político, conheci alguns de visão política estratégica, iluminados pelo dom da criatividade e competentes psicólogos da emoção – sim, porque é com ela que todos trabalham, matéria bruta da política -, mas a coisa desandou já na eleição presidencial vitoriosa de Collor de Mello.

Ele foi o presidente que inaugurou no país redemocratizado o marketing como condutor da narrativa de um projeto de poder, usando como ancora mais sólida para o sucesso da empreitada a televisão, meio quente que oferece técnicas, recursos e tecnologia elásticas para “vender” o que seja – postes, embustes, farsantes, medíocres e, claro, bons candidatos, não raro submetidos à ditadura da estética e, não menos importante, instruídos a seguir roteiros que em tempos de polarização partidária da disputa tratam adversários como inimigos e a política vira guerra. E, como tal, o outro precisa ser destruído.

Tudo embalado com exagero do populismo místico e excesso de confiança, para deleite diário no horário eleitoral gratuito de um público que há muito pouco tempo começou a se interessar por política. E o produto é caro. O marketing  seguramente está entre os componentes mais dispendiosos de uma campanha, e o bônus do marqueteiro  – pejorativo, mas difícil evitar – é algo estrelar.

O jornal “Folha de São Paulo”, utilizando dados oficiais armazenados no TSE, publicou a remuneração de João Santana, jornalista que abdicou da profissão que bebe na realidade para ganhar dinheiro na que costuma distorce-la, exatamente como foi a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff.  Em 2006, trabalhando para Lula, ele teria embolsado R$ 24 milhões; em 2010, mergulhado na eleição da ministra que nunca havia disputado uma eleição faturou R$ 56 milhões e por último, em 2014, para mim a mais abjeta campanha presidencial de todas até agora, teria amealhado R$ 88 milhões.

Vá lá, não é dinheiro que chegue aos pés de um astro de futebol que troque de clube, ou mesmo tenha remuneração mensal em equipe robusta, o estresse é violento e conspirações estão por todo lado, mas como indicam as investigações da Lava Jato, há muito mais dinheiro envolvido.

Uma campanha televisa, durante sessenta dias, exige alto investimento, daí a inquietação. De qualidade indiscutível, impossível imaginar que tudo tenha sido asséptico nas milionárias campanhas presidenciais petistas -quatro, desde Collor – e, mais do que isso: até que ponto é admissível edulcorar candidato, escamotear a verdade, abusar das emoções, distorcer informações e mentir à farta para sagrar-se vitorioso?  Vale a pena?

Com a prisão de João Santana, segundo homem de marketing do PT que se enreda com a justiça, esse debate é mais um que se coloca na urgência dos temas da política, atividade com financiamento solapado pelas revelações da Lava Jato.

 

Email: maraparaguassu1@gmail.com

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