15 de janeiro de 2016

Madeira-Mamoré terá parque temático

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Erosão levou mais de 1.500 metros de trilhos do trecho tombado da Madeira-Mamoré em 2014 - Foto Jota Gome

Erosão levou mais de 1.500 metros de trilhos do trecho tombado da Madeira-Mamoré em 2014 – Foto Jota Gome

Ana Aranda

A Defesa Civil Municipal está tomando medidas preventivas para a possibilidade de uma nova cheia no Madeira. Embora tenha chovido menos do que o esperado em Rondônia desde o início do chamado ‘inverno amazônico’ (setembro a março), há o temor de alagações equivalentes às da cheia de 2015 (considerada como a quinta maior dos últimos cem anos), por causa do grande volume de chuva registrado nas nascentes das bacias do Madeira e do Guaporé, na região andina.

A possibilidade de alagação mais uma vez é vista como ameaça ao acervo da Madeira-Mamoré, que na cheia histórica de 2014 (a maior em cem anos) levou por água abaixo, com o desbarrancamento, entre 1.500 a 2 mil metros do trecho de 8 mil metros incluído no sítio da ferrovia tombado como patrimônio histórico nacional. O secretário municipal de Defesa Civil, Vicente Bessa, cobra obras de contenção nos barrancos e anuncia a criação de um parque temático na ferrovia.

No ano passado, a erosão teria atingido o prédio onde ficam os banheiros e um dos galpões de ferro da Madeira-Mamoré se não tivesse sido feito um trabalho de enrocamento – obra que previne a erosão – em uma pequena área da praça da ferrovia, com recursos (R$ 55 mil) disponibilizados pela prefeitura. “Neste ano ninguém fez nada ainda. Nem prefeitura, nem governo do Estado e nem Iphan”, reclama o secretário.

Obra de enrocamento feito pela prefeitura evitou desmoronamento de parte da praça da Madeira-Mamoré em 2015 - Foto Ana Aranda

Obra de enrocamento feito pela prefeitura evitou desmoronamento de parte da praça da Madeira-Mamoré em 2015 – Foto Ana Aranda

Vicente Bessa recomenda uma obra de contenção no barranco, de aproximadamente 800 metros, desde o ponto onde ficava o antigo Café Madeira até o galpão da Marinha, para proteger o acervo da Madeira-Mamoré. Um trabalho capaz de prevenir a erosão no local por um período de cerca de 20 anos custaria aproximadamente R$ 13 milhões e demandaria cerca de três anos para ser concluído, considera o secretário. Além de recursos de compensação, este montante poderia ser complementado com recursos estaduais e municipais.

Para proteger os barrancos e resolver outras demandas da Madeira-Mamoré, já existe um projeto de remanejamento de verbas da medida de compensação ambiental da construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio referente à recuperação do trecho tombado da ferrovia, que gira em torno de R$ 8 milhões. Este projeto já está em análise no Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília, que é o órgão de tutela da Madeira-Mamoré.

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Parque temático na Madeira-Mamoré

A cheia de 2014, considerada como a maior dos últimos cem anos trouxe sérios prejuízos para a ferrovia e tornou mais distante o retorno dos passeios de trem entre Porto Velho e Santo Antônio. A alagação levou, com o desbarrancamento, entre 1.500 a 2 mil metros da extensão de 8 mil metros do trecho tombado da ferrovia. Além disso, 64 famílias devem ser indenizadas e retiradas do local, entre outros entraves difíceis de resolver em tempos de crise econômica e repasses escassos do governo federal.

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Cheia histórica de 2014 atingiu severamente acervo da ferrovia histórica. Na foto, litorina, que pode ser utilizada em passeios no parque temático da ferrovia. Foto Ana Aranda

Cheia histórica de 2014 atingiu severamente acervo da ferrovia histórica. Na foto, litorina, que pode ser utilizada em passeios no parque temático da ferrovia. Foto Ana Aranda

“A cheia praticamente triplicou o custo de recuperação dos trilhos e do restante do acervo afetado”, calcula o secretário. Outro problema seria a manutenção de viagens de trem, estimada em R$ 300 mil por mês. Um custo que dificilmente seria suprido com passeios turísticos na Madeira-Mamoré, afirma ele.

Com estas dificuldades, a prefeitura trabalha o projeto de transformar a praça da Madeira-Mamoré em um parque temático, ocupando a área que inicia na praça e vai até o Cai N`Água, onde seria feito um passeio com a litorina. A litorina é um vagão equipado com motor movido a óleo diesel, utilizado para fazer viagens rápidas nas ferrovias. “A ideia é utilizar o espaço para outros fins, como bares e restaurantes, juntamente com a iniciativa privada”, diz o secretário. Recentemente, a prefeitura criou a lei que permite a parceira da prefeitura com entes privados.

Para garantir a segurança (outro grande problema do complexo), o parque temático deverá ser cercada com um gradil, cuja obra já foi licitada. A Funcultural ( Fundação Municipal de Cultura) recuperou o prédio da antiga estação de passageiros, que está sendo utilizado para administrar o complexo.

A criação do parque temático também envolve a recuperação do mobiliário e do deck da praça. A utilização dos galpões de metal e a construção de banheiros. Os dois banheiros que havia no complexo ficaram inutilizados porque a estação de tratamento dos mesmos foi demolida pela enchente de 2014.

Em 2015, a água do Madeira ameaçou invadir novamente a praça da Madeira-Mamoré - Foto Ana Aranda

Em 2015, a água do Madeira ameaçou invadir novamente a praça da Madeira-Mamoré – Foto Ana Aranda

O projeto da criação do parque temático deve ser um trabalho conjunto de órgãos municipais, estaduais e federais e precisa ser aprovado pela sociedade civil, afirma o secretário. “Eu acho que com a situação em que se encontra o acervo esta é uma alternativa exequível, que está na mão. Só falta agora os órgãos envolvidos demonstrarem boa vontade para criar o parque. A minha grande preocupação é que eu não vejo ninguém, políticos,deputados, senadores e governantes defendendo esta obra”, lamenta Vicente Bessa.

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Comentários

  • Amiga Ana Aranda,

    Parabens pela excelente matéria. Seu compromisso com nosso maior patrimônio me enche de orgulho. A seriedade de seu trabalho jornalístico deveria ser seguida por muito mais colegas de profissão, para que temas como este fossem cotidianamente ressaltados e, quem sabe assim, mereceriam urgencia das nossas autoridades. Parabens.

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