29 de outubro de 2018

Café clonal produzido na floresta rende prêmio de qualidade para produtores indígenas

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Temperatura e adubação natural da mata garantem sustentabilidade e renda nas lavouras

Reportagem Vanessa Farias/ASCOM/RO

Família de Valdir Aruá recebe prêmio Concafe - Foto  FRank Nery/Ascom/RO

Família de Valdir Aruá recebe prêmio Concafe – Foto FRank Nery/Ascom/RO

Sem adubo especial, sem irrigação e apenas com o cuidado para colher no tempo certo, tratar e estocar os grãos de café clonal produzidos na lavoura escondida em meio à floresta da Reserva 7 de Setembro, os índios Paiter Suruís comemoram o 8º lugar, com 80 pontos registrados no Concurso de Qualidade e Sustentabilidade de Café de Rondônia (Concafé), realizado em Cacoal (a 480 quilômetros de Porto Velho) no dia 21 de setembro. A pontuação foi alcançada na primeira safra cultivada por Luan Mopib Gorten Suruí, 24 anos, filho do cacique da aldeia Lapetanha.

Uma das principais avaliações do Concafé para a pontuação dos cafés apresentados foi a sustentabilidade. E a surpresa para o indígena Valdir Aruá foi a classificação em 2º lugar, com 81 pontos. Na Comunidade Indígena Rio Branco, a cerca de 80 quilômetros da cidade de Alta Floresta, em uma área de 236 hectares, vivem aproximadamente 1.150 famílias, entre elas a do cafeicultor indígena.

São Tuparis, Jabotis, Aruás, Kanoés, Ajurus, Sacarabiás, Iaricapus, Macurapi e Kampés, todos orgulhosos e querendo seguir o exemplo de Valdir. Em cerimônia na tribo, o prêmio foi entregue ao vencedor pelo gerente técnico da Emater, Raphael Cidade. Um cheque de R$ 8 mil em insumos, credencial para a retirada de 5 mil mudas de clonal e mais 24 toneladas de calcário. A lavoura de Valdir vai ficar ainda mais fortalecida.

Luan Suruí mostra café premiado Foto Fran Nery/Ascom/RO

Luan Suruí mostra café premiado Foto Fran Nery/Ascom/RO

“Nem nos nossos melhores sonhos imaginávamos estar entre os melhores de Rondônia. Isso é um marco na história da cafeicultura, é a primeira etnia a conquistar um pódio de 2º melhor café na região amazônica. Representa desenvolvimento, respeito e potencial”, disse Enrique Alves, pesquisador da Embrapa RO que acompanhou e desenvolveu o projeto junto ao indígena.

“Não foi somente eu que ganhei, mas toda a comunidade indígena do estado de Rondônia, porque esse prêmio abre portas para mais interessados conhecer e descobrir nosso potencial produtivo”, declarou Valdir Aruá. Outras 8 mil mudas serão destinadas à comunidade através da Emater.

Café produzido dentro da floresta

Valdir cultiva café no meio da mata Foto Frank Nery/Ascom/RO

Valdir cultiva café no meio da mata Foto Frank Nery/Ascom/RO

Segundo Wesley, a Emater encaminhou a documentação para abertura de créditos no Banco da Amazônia (Basa) para os produtores indígenas da área. Os suruís também cultivam banana, babaçu, cacau e castanha, tendo a castanha destaque na última safra colhida entre novembro de 2017 e março deste ano com o volume de 200 toneladas.

Moperi Suruí, pai de Luan e cacique da aldeia Lapetanha, dançou e cantou para recepcionar a equipe de técnicos e comemorar a ascensão da produção, e antes da emocionante apresentação, Moperi se orgulhou da capacidade da tribo, e falando em Tupy Mondé demonstrou alegria e agradecimento. “Nós parabenizamos a iniciativa de virem mostrar como convivemos na aldeia e o potencial da nossa produção. Estamos felizes por estarmos entre os melhores pelo trabalho de forma sustentável legal e sem destruição da floresta, e agora sermos exemplo para o mundo com a nossa cultura dentro do território Suruí”.

Das três edições do Concafé, este ano foi a primeira com a participação de indígenas que produzem o café clonal nas aldeias. Os clones permitem uma renda média de 25 sacas por propriedade, enquando o seminal rende de 10 a 14 sacas por hectare.

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