30 de janeiro de 2016

Barragens e secas ameaçam peixes na Amazônia

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Pesquisa do professor doutor Ranieri propõe estratégias para a conservação dos estoques pesqueiros para a bacia Amazônica Foto - assessoria

Pesquisa do professor doutor Ranieri propõe estratégias para a conservação dos estoques pesqueiros para a bacia amazônica. Foto: Assessoria

Autor: Unir

O professor doutor Raniere Garcez Costa Sousa, docente do Departamento de Engenharia de Pesca, campus de Presidente Médici da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), publicou recentemente dois artigos sobre a Ecologia pesqueira da região Amazônica. As publicações foram realizadas em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Whashington and Lee University (WLU – EUA).

O primeiro artigo, intitulado “Amazon floodplain fish communities: Habitat connectivity and conservation in a rapidly deteriorating environment” (Comunidade de peixes de áreas alagadas da Amazônia: Conservação e conectividade de Habitat com intensa degradação ambiental), foi publicado com classificação Qualis A1 Internacional na revista Biological Conservation (vol.195, 2016, 118-127, fator de impacto 3,76).

Na pesquisa, realizada de 2010 a 2016, os autores Lawrence E. Hurd, Raniere G.C. Sousa, Flávia K. Siqueira-Souza, Gregory J. Cooper, James R. Kahn e Carlos E.C. Freitas abordam o tema da variação sazonal dos grandes rios Amazônicos, como o Amazonas, e a influência destes sobre os processos de controle e existência de metapopulações e metacomunidades de peixes na região.

Os pesquisadores verificaram que “as conexões entre rios e lagos estão sendo interrompidas com as construções de barragens e por secas causadas pelas mudanças climáticas”, o que acaba dificultando a dispersão e a colonização de novas áreas pelas espécies de peixes residentes e migradoras.

“Atualmente, as espécies de peixes migradoras economicamente importantes ainda não foram estudadas do ponto de vista metapopulacional, onde a conectividade dos ambientes é crucial para a manutenção do ciclo de vida e as interferências causadas pelo homem podem interferir negativamente nessa estrutura populacional”, explicou o professor.

Na opinião do professor Raniere Sousa, a pesquisa apresenta uma oportunidade para a conservação de importantes espécies e estoques de peixes na Amazônia.

“O artigo propõe estratégias promissoras para a conservação dos estoques pesqueiros para toda a bacia Amazônica, sendo as principais: a redução das construções de barragens; a manutenção e criação de áreas protegidas, grandes o suficiente para manter a conectividade das assembleias de peixes, mesmo durante épocas de secas anormais (extremas); e a implementação de estruturas governamentais para facilitar os acordos de pesca que possam evitar a sobre-exploração dos recursos pesqueiros, atuando com monitoramento participativo das populações ribeirinhas das áreas protegidas.

O artigo, em inglês, está disponibilizado gratuitamente para leitura até o dia 3 de março de 2016 no endereço eletrônico http://dx.doi.org/10.1016/j.biocon.2016.01.005.

Segunda publicação

Pesquisadores verificaram que “as conexões entre rios e lagos estão sendo interrompidas com as construções de barragens e por secas causadas pelas mudanças climáticas Foto - assessoria

Pesquisadores verificaram que “as conexões entre rios e lagos estão sendo interrompidas com as construções de barragens e por secas causadas pelas mudanças climáticas Foto – assessoria

O segundo artigo, também de autoria do professor Raniere, em parceria com Robert Humston e Carlos E. C. Freitas, intitulado “Movement patterns of adult peacock bass Cichla temensis between tributaries of the middle Negro River basin (Amazonas–Brazil): an otolith geochemical analysis” (Padrões de movimentos de tucunaré-açú Cichla temensis adultos entre tributários da bacia do Médio Rio Negro (Amazonas–Brasil): uma análise geoquímica de otólitos), foi publicado na revista Fisheries Management and Ecology (vol. 23, 2016, 76-87, fator de impacto 1,76), com Qualis B1 Internacional.

O artigo trata da análise de elementos químicos encontrados no tucunaré-açu Cichla temensis para determinar a origem, ou seja, as áreas de nascimento desses peixes, e reconstruir a história dos movimentos (ou rotas de dispersão) de indivíduos dessa espécie que foram capturados em áreas geologicamente distintas, na bacia do Rio Negro – Amazonas.

“Os resultados da pesquisa indicaram que a dinâmica de movimentos de dispersão dos tucunarés é mais complexa do que os resultados revelados em outros estudos. Esta nova informação sobre a distribuição espacial do tucunaré pode ser usada para o gerenciamento de estratégias mais efetivas para as pescarias da região da bacia do Rio Negro”, finalizou o professor Raniere Sousa.

Acesse o artigo em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/fme.12166/abstract ou solicite cópia diretamente ao autor, através do e-mail ranieregarcez@unir.br.

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