11 de março de 2012

Barco hospital desce o rio Madeira levando serviços de saúde e cidadania para os beradeiros

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Embarcação percorre o Baixo Madeira para atender uma população de pouco mais de 4 mil pessoas, descendentes de seringueiros, que foram esquecidas ao longo da história

Ana Aranda

Crianças da comunidade de Nazaré brincam durante realização do projeto Tenda da Cidadania - Foto Jota Gomes

Partiu do porto do Cai N´Àgua, nesta sexta-feira, em Porto Velho, o Barco Hospital Dr. Floriano Riva Filho, com a missão de levar atendimento médico às comunidades que vivem em locais de difícil acesso ao longo do Baixo Madeira, desde a pequena localidade de São Miguel, nas proximidades do centro urbano do município, até Demarcação, no ponto em que o rio Machado deságua no Madeirão. O barco, mantido pela prefeitura, transporta 30 profissionais. A meta é levar atendimento médico e odontológico para uma comunidade formada por pouco mais de 4 mil habitantes que vivem em pequenas comunidades isoladas ao longo do rio.

O abandono dos beradeiros no Madeira é histórico. As comunidades são formadas por descendentes de seringueiros que exploravam o látex para fabricar borracha. A maioria é jovem e não tem acesso à escola. A saúde é precária. Embora sejam comunidades tradicionais na região, eles não têm nem o título das terras onde viveram seus pais, avôs e bisavôs. Os seringais trouxeram luxo e riqueza para a Amazônia até o início do Século XX, quando o preço do produto despencou no mercado internacional. Com o advento da II Guerra Mundial, quando os Aliados perderam acesso à borracha fabricada na Indonésia, dominada pelos japoneses, o produto voltou a ser valorizado. Depois disso, os seringueiros foram abandonados em colocações distantes e inacessíveis. O Brasil tem uma grande dívida com estes moradores da floresta.

Atendimentos

O barco hospital Dr Floriano Riva está fazendo a sua primeira viagem. A prefeitura também conta com lanchas do SAMU, que fazem atendimentos emergenciais e transportam os doentes graves para hospitais da cidade.

A embarcação  está equipada para fazer atendimentos médicos, odontológicos, laboratoriais,

O barco hospital Dr Floriano Riva é mantido pela prefeitura de Porto Velho - Foto Frank Néry/Condecom

vacinação e distribuição de remédios. Também está preparadaa para levar informações para os moradores que vivem quase que isolados do mundo, onde a energia elétrica só agora está chegando, aos poucos.  Entre os temas a serem abordados estão  saúde bucal, planejamento familiar, hipertensão, diabetes, saúde da mulher, saúde do idoso e saúde da criança.

Nesta primeira viagem, que vai durar 20 dias, a equipe do Floriano Riva ganhou um reforço com ações da Operação Aciso e “Tenda da Cidadania”, que oferecem serviços como emissão de documentos, assistência social, palestras educativas, atividades recreativas e culturais.

Também viaja junto, uma equipe do Programa Plano Futuro do Governo de Rondônia, que visa o combate à pobreza no Estado e levará informações sobre empreendedorismo, prevenção ao uso de drogas e erradicação do trabalho infantil. Uma equipe da Defesa Civil está encarregada do monitoramento do Madeira que, em plena cheia, transborda, levando pedaços grandes de barrancos, fenômeno conhecido como terra caída, muito comum na Amazônia.

Programação

A primeira parada do barco hospital foi feita em Demarcação, no  sábado, dia 10. De 11 a 14, a embarcação estará em Calama. Em Nazaré, o atendimento será nos dias 15, 16 e 17, em São Carlos, nos dias 18 e 19. A ação encerra no dia 20 de março, em São Miguel. O barco está equipado com quatro voadeiras (pequenos barcos) para transportar as famílias que moram distantes dos núcleos urbanos dos distritos.

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Comentários

  • Luciane Lopes disse:

    oi sou estudante de enfermagem e gostaria de paarticipar de forma voluntaria do barco hospital como faço e quais sao os requisitos gostaria de saber.

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