11 de agosto de 2017

A trágica trajetória dos Arikemes e a colônia agrícola criada por Rondon

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Indígenas na colônia criada por Rondon na região de Ariquemes - Foto: http://historiadeariquemes.blogspot.com.br/2009/07/os-indigenas-ariquemes-e-o-spi-o.html

Indígenas na colônia criada por Rondon na região de Ariquemes – Foto: http://historiadeariquemes.blogspot.com.br/2009/07/os-indigenas-ariquemes-e-o-spi-o.html

Autor: Amazônia da Gente

Em tese de mestrado defendida na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), o professor de História da Rede Pública Estadual Washington Heleno Cavalcante relata a trágica trajetória dos índios Arikemes, na região do Vale do Jamari, em Rondônia, em artigo que estuda “as causas da perda da identidade cultural e a extinção deste povo a partir da tutela imposta pelo SPILTN- Serviço e Proteção aos Índios e Localização e Trabalhadores Nacionais, SPILTN, por intermédio do Posto Indígena Rodolpho Miranda onde os Arikemes foram internados no ano de 1914”. http://www.congressohistoriajatai.org/anais2014/Link%20(274).pdf.

De acordo com o artigo do professor, o SPILTN, criado em 1910, que antecedeu o SPI, foi criado logo depois da proclamação da República no Brasil e o Marechal Cândido Rondon foi nomeado como chefe do órgão. Militar e sertanista ele era um positivista, acreditava na civilização europeia como o ideal de vida. Como já indica o nome do órgão, o objetivo do mesmo era transformar os indígenas em trabalhadores nacionais, uma política que ajudou a extinguir vários povos indígenas, como é o caso dos Arikemes, segundo o artigo do professor.

A criação do SPILTN coincidiu com a expansão da extração da borracha na Amazônia, época em que Rondon instalou a Estação Telegráfica entre os estados do Mato Grosso e Amazonas, passando por Rondônia. Quando Rondon entrou em contato com os Arikemes, nas margens do Rio Massangana, um dos principais tributários do rio Jamari, na região do hoje município de Ariquemes, a 200 quilômetros de Porto Velho, eles vivam em conflito com os seringueiros e os caucheiros, que adentravam suas terras para explorar a borracha. “Haviam ataques comandados pelos seringalistas da região aos aldeamentos arikemes, que geralmente causavam mortes entre esses índios. Em alguns casos havia o revide a seringueiros que fossem encontrados sozinhos pela floresta”.
Segundo a tese de mestrado, “os principais aspectos culturais, desses índios ainda eram preservados quando, em 1909, ocorreu a primeira passagem da Comissão Estratégica de Construção de Linhas Telegráfica do Mato Grosso ao Amazonas (CLTEMA) na região do rio Jamari”.

Para mediar os conflitos entre os índios e seringueiros e permitir a expansão da borracha, em 1914 foi criado o Posto Indígena Rodolpho Miranda, onde os Arikemes e outros índios da região deveriam ficar isolados. Rondon defendia junto aos invasores, que cessassem as agressões aos índios, para facilitar a convivência na região, e, segundo a tese do professor Washington Heleno Cavalcante, esta postura ajudou para que os índios baixassem a guarda, facilitando a sua dominação.

“Em pouco tempo esses indígenas passaram a falar com boa desenvoltura a língua portuguesa, o que lhes causou grande vulnerabilidade visto que com a facilidade de comunicação entre os arikemes e os moradores da região, se introduziram nos aldeamentos uma série de maus costumes como o alcoolismo e a prostituição, além de doenças como a sífilis e o defluxo causando grande mortalidade.”

“Quando Rondon teve notícias dos Arikemes no ano de 1909, o grupo contava com cerca de 600 membros em três aldeamentos, ao longo do rio Massangana. No ano da criação do Posto indígena Rodolpho Miranda, 1914, restavam apenas 60 indivíduos.”
O Posto Indígena Rodolpho Miranda não prosperou e foi extinto, basicamente pela falta de recursos e política ineficiente que até hoje caracteriza os trabalhos da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), sucessora do SPI. “Em 1984, o que restava do povo indígena Arikeme eram apenas duas famílias indígenas trabalhando para proprietários agrícolas nos arredores do município de Ariquemes e pelo menos duas índias em prostíbulos locais”, de acordo com o artigo do professor Washintong Heleno Cavalcante.

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