23 de setembro de 2011

“O Ministério das Comunicações não mostra interesse por rádios comunitárias”

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 Mara Paraguassu 

Jose Giovanni: trabalho permanente a favor das rádios comunitárias

 

O desabafo é de José Giovanni Basílio Giovanni, presidente da Rádio Verde Amazônia, sediada em Ariquemes e que tem uma das melhores estruturas em se tratando de rádio de caráter comunitário. 

Giovanni está à frente da Associação Rádio Comunitária Educativa Verde Amazônia, que desde sua existência empreende diversos projetos nos campos da educação, no social e meio ambiente. Logo cedo ele faz a locução do programa Ariquemes Terra Viva, de audiência expressiva.  

Para Giovanni, as Rádios Comunitárias merecem outro tratamento por parte das autoridades que não o abandono e pouco caso.  “Temos sido bem ouvidos pela Anatel em Rondônia. Quanto ao Ministério das Comunicações, temos visto que não mostra muito interesse por Rádio Comunitária e muito menos por reaver certas situações, como por exemplo a questão de não veicular propaganda, não pode propagar valores, patrocínio com citação de preços e nem falar nome de produtos. Isso é o cúmulo da ignorância no país democrático que vivemos”, dispara, em defesa de alterações na lei  9.612/98. 

Ele também se queixa de “outro absurdo”: as emissoras operarem numa única freqüência. “Isso tem trazido um transtorno ao nosso ouvinte”, lamenta.  A seguir a entrevista concedida ao Amazônia da Gente: 

AG: As Rádios Comunitárias não têm acesso às verbas publicitárias e seu alcance de difusão é limitado. O senhor defende mudanças na legislação para que isso seja revisto? 

José Giovanni: Nossa luta hoje é ter no mínimo 300 watts porque as comunidades rurais são as que mais precisam dos serviços das Radcom, como as campanhas contra queimada, os programas do Governo Federal e tantas outras campanhas. A Radcom é o sistema que mais serve os Governos e não tem um centavo dos Governos. As Rádios Comunitárias fazem uma grande diferença na Amazônia e no país como um todo. Mas elas não vivem de vento, e por isso é preciso que a mídia destinada às rádios comerciais seja também, mesmo em fatia menor, destinada às comunitárias. É preciso mudanças na lei 9.612/98.  

AG:  Quais são hoje as maiores dificuldades enfrentadas na direção da Rádio Verde Amazônia de Ariquemes? 

Jose Giovanni: A falta de seus sócios e diretores nas reuniões, e por ser uma das rádios comunitárias em um porte grande em estrutura em equipamentos, há uma grande disputa na presidência da emissora por grandes empresários e políticos como presidente de partidos. 

AG: A Associação Rádio Comunitária Educativa Verde Amazônia tem produzido diversos projetos de cunho social, cultural e na área de meio ambiente. Como surgiram os projetos Cinema na Roça e Cinema na Praça? 

José Giovanni: Surgiu quando nós estávamos em uma festa da comunidade e só  tinha um sonzinho, e ai lembrei de um data show que estava no carro e em uma parede branca projetamos um vídeo do Mazzaropi. Então surgiu este projeto que hoje é sucesso em toda Grande Ariquemes, sendo um cinema diferente, que leva educação de trânsito, saúde, meio ambiente e dicas ao produtor rural. 

AG:  Quais são os outros projetos a que se dedica a Associação? 

José Giovanni: Gravamos 25 mil CDs para artista da terra, fizemos vários festivais de musica, quando oferecemos prêmios em dinheiro para que o artista se beneficiasse com a compra de instrumentos. Fizemos campanhas de ajuda à pessoas doentes; um quadro no Programa Ariquemes Terra Viva onde procuramos pessoas e já tivemos um bom resultado, com mais de 300 pessoas encontradas, mas o nosso foco maior é meio ambiente. 

AG: Como o senhor avalia hoje a atuação da Anatel e do Ministério das Comunicações em relação às rádios comunitárias? 

José Giovanni: Quanto a Anatel de Rondônia temos sido bem ouvidos. Quanto ao Ministério das Comunicações temos visto que não mostra muito interesse por Radcom e muito menos por reaver certas situações, como por exemplo a questão de não veicular propaganda com valores. E quanto o aumento da potência das emissoras mais altitude no radiante com 42 metros, que é a torre em relação às TVs Comunitárias ate o momento nada. Outro absurdo são as emissoras terem uma única freqüência. Isso tem trazido um transtorno ao nosso ouvinte. Onde já se viu uma emissora, a quatro mil metros de distância de uma para outra, na mesma freqüência? Não cabe nem na cabeça de um leigo. Pedimos a atenção dos parlamentares para que nós ajude nestas ações de melhoramento e contra a discriminação contra as Radcom, que são as verdadeiras emissoras da comunidade.

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